Calote, frustração com o TUF e até luta de graça: irmão narra a saga de Borrachinha até chegar ao UFC

Mas a trajetória dele nas 13 lutas que fez e venceu até aqui não foi nada fácil.

Como a maioria dos lutadores brasileiros, ele passou por muitos perrengues na carreira, além de frustrações que tiveram que ser colocadas no passado.

E ninguém melhor para contar essa história que Carlos Borracha, irmão mais velho e também treinador principal.

Quando o Paulo falou comigo que queria lutar MMA, eu disse: ‘Ok, então vamos fazer essa migração para esse novo esporte’. Começamos a treinar muay thai na academia do Zangado aqui em Contagem, um grande parceiro nosso. Ele nos deu esse suporte da trocação para que a gente pudesse competir, iniciar no MMA.

Com 17 para 18 anos, arranjamos uma luta para o Borrachinha em uma cidade próxima, Santa Luzia. A bolsa do evento era 200 reais. Meu irmão ganhou no primeiro round, nocaute técnico. E me lembro que no final da luta o dono do evento falou que não tinha 200, tinha só 100 reais para pagar. Os outros 100 ele disse que mandava depois. Esses 100 tão até hoje sem chegar!

No início é muito difícil, muito complicado, a bolsa é muito pequena. Você não luta pelo dinheiro, luta pela experiência.

O Paulo fez a segunda luta no MMA. Foi contra o Ademilson, na cidade de Teófilo Otoni. Ele ganhou também com nocaute, no primeiro round, com um chute na cabeça.

Mas ele precisava ter três lutas para ir para o TUF e só tinha duas. Ficamos sabendo do TUF, descobrimos que precisava ter três lutas e aí fomos correr atrás, mas estava muito em cima. Tinha um evento aqui em Belo Horizonte e eu fui até o organizador. Ele me disse que o evento já estava fechado, que já tinha as 13 ou 14 lutas que precisava.

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Eu falei: “Nós precisamos! Arruma um luta para o meu irmão, a gente luta de graça!”.

Conseguimos um adversário, nessa época o Borrachinha lutava até 93kg, nunca tinha batido o peso dos médios, pesava mais de 100kg. Ele fez a luta e venceu. Foi a terceira vitória, a terceira no primeiro round. E foi por isso que conseguiu ir para o TUF Brasil.

E foi de graça mesmo, não pagaram nada. A gente precisava da luta, então ele lutou de graça. Lembro que na época ele ficou até um pouco irritado: “Pô, eu tô lutando de graça?”. Mas eu falei: “É, mas a gente precisa dessa luta, não tem jeito!”.

Foi onde ele fez os testes do TUF, foi aprovado em todos e aí fez a primeira luta para entrar na casa, a luta que decide quem entra e quem não entra. Ele pegou um atleta até de Minas Gerais, inclusive, venceu com uma guilhotina e conseguiu ir para a casa do TUF.

Na casa do TUF é uma situação bem diferente do que a gente vivia aqui. Primeiro: lá ele foi para lutar de 84kg, peso que ele nunca havia batido. Então ele tinha que estar pronto toda semana para lutar, ficou em uma dieta muito restritiva. Acredito que foi um erro nosso ter decidido que ele ia lutar com 84kg, ele nunca tinha batido esse peso. Dentro da casa ele poderia lutar toda semana, então sempre tinha que ficar próximo do peso. Então isso com certeza afetou muito o desempenho dele dentro da casa.

[ Paulo Borrachinha participou do TUF Brasil em 2014. Ele finalizou José Roberto Rocha, o “Negão”, na luta para entrar na casa. Acabou sendo o segundo peso médio escolhido por Wanderlei Silva, mas foi derrotado por Márcio Lyoto logo na primeira luta da competição ]

Nós estávamos muito esperançosos que depois do TUF ele já iria para o UFC. Só que o Borrachinha tinha apenas três lutas de MMA, pouca experiência. Quando ele perdeu a luta dentro e acabou o TUF, o UFC pediu para ele lutar mais algumas vezes. Ele ficou um pouco decepcionado. A gente criou uma esperança e uma expectativa muito grande de já ir para o UFC através do TUF e não foi o que aconteceu. Então durante um tempo ele ficou realmente chateado, triste, frustrado…

Mas aquilo ali se tornou para ele um combustível a mais. Nós conversamos e ele ainda era um atleta inexperiente no MMA, tinha apenas três lutas, ainda estava se encontrando nesse esporte. E eu falo que Deus sabe todas as coisas, porque, por exemplo, a maioria dos atletas do mesmo TUF que meu irmão participou, hoje já não está mais no UFC. A maioria deles. Inclusive o próprio Marcio Lyoto, que ganhou dele, hoje já não está mais no UFC.

Se o Borrachinha naquela época tivesse ido para o UFC, pode ser que hoje ele não estaria lutando pelo título, pode ser que não estaria nem no UFC mais. Porque o UFC não é lugar para ganhar experiência, é o lugar para você chegar pronto. Como eu disse: Deus sabe todas as coisas. Naquela época, aquilo ali aprecia ser algo muito ruim, mas tenho certeza que Deus tinha os planos maiores que aquilo que a gente estava pensando.

Depois do TUF, meu irmão lutou no Face to Face, que era um evento que tinha chegado muito forte. Ele lutou contra o Gersinho Conceição, um atleta muito experiente, da luta em pé. E o Borrachinha ganhou também no primeiro round.

Depois, na segunda luta, disputando o cinturão do Face to Face, ele lutou contra o Wagnão, que também participou com ele do TUF Brasil. Wagnão tinha ido para o UFC, mas foi demitido e veio para fazer essa luta com o Borrachinha pelo título. Mais uma vez, nocauteou no primeiro round.

O Face to Face parou um pouco, teve uns problemas. Mas aí o Jungle voltou forte. Surgiu a oportunidade, meu irmão lutou, depois fez a luta pelo cinturão, ganhou e defendeu o título. Só aí ele foi para o UFC. Realmente não tinha mais ninguém no Brasil nessa época para enfrentar o Borrachinha. Quando ele foi campeão do Jungle, ele estava realmente preparado para ir para o maior evento de MMA do mundo.

Tinha um impasse grande porque o Wallid Ismail (empresário) falou que ia tentar o UFC e o Rizin ao mesmo tempo. O Wallid sempre conversava com os dois, e o Rizin mandou um contrato para o Borrachinha lutar em dezembro. Estava tudo certo, mas a luta caiu, o russo que meu irmão ia enfrentar machucou.

Nisso o UFC chamou, disse que tinha um evento em Fortaleza que queriam por ele para lutar contra o sul-africano Gareth McLellan. Nós aceitamos porque era nosso sonho. Foi assim que ele estreou, com uma vitória avassaladora, também no primeiro round.

Source: https://www.espn.com.br/mma/artigo/_/id/7483595/ufc-253-calote-frustracao-com-o-tuf-e-ate-luta-de-graca-irmao-narra-a-saga-de-borrachinha-no-mma

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